Chargeback é quando o dono de um cartão entra em contato com o banco e pede a devolução do dinheiro de uma compra. Isso pode acontecer por vários motivos: não reconheceu a cobrança, o produto não chegou, chegou diferente do anunciado, entre outros.
Quando isso ocorre, o banco pode retirar o valor diretamente da conta do lojista — mesmo que o produto já tenha sido entregue. Por isso é fundamental entender o processo e saber como se defender.
Pense no chargeback como um tribunal: não basta dizer que entregou. É preciso provar.
Existem quatro razões pelas quais um cliente pode abrir um chargeback. A mais delicada é a fraude — e aqui existe uma diferença fundamental que o lojista precisa conhecer antes de decidir se vai contestar.
- O cartão foi clonado ou furtado e outra pessoa fez a compra
- O produto foi entregue a um fraudador — não ao dono do cartão
- O dono do cartão nunca fez nem autorizou a compra
- Nesses casos, infelizmente, quase não há como reverter
- Sinal: nome do titular real é diferente do comprador
- O próprio dono do cartão fez a compra, mas alega não reconhecer
- Exemplos: esposa que compra no cartão do marido, filho no da mãe
- Com documentação bem montada, o lojista tem grandes chances
- Sinal: nome do titular é igual ou parecido com o comprador
Produto não recebido, diferente do descrito, defeituoso ou cliente querendo cancelar. Com boa documentação, o lojista tem boas chances — mas há um erro muito frequente:
- Print de story ou destaque do Instagram
- Link enviado por e-mail depois da compra
- Política só no rodapé do site
- Qualquer regra que o cliente não precisou aceitar na hora de pagar
- Caixinha de aceite no checkout — cliente marcou antes de pagar
- Registro automático do horário e aceite no sistema
- Confirmação de compra que já inclui os termos aceitos
| Motivo | O que significa |
|---|---|
| Erro de cobrança | Cliente foi cobrado duas vezes ou o valor estava errado. Geralmente resolvido automaticamente quando há registro do estorno. |
| Problema de autorização | Pagamento feito sem a aprovação correta do banco. Resolvido diretamente pelas empresas — o lojista não precisa fazer nada. |
O processo segue etapas bem definidas com prazos curtos. A regra mais importante: o lojista tem uma única chance de enviar os documentos de defesa. Depois disso, não é possível incluir novas provas.
| Prazo | O que significa |
|---|---|
| 7 dias corridos | A partir do e-mail de notificação, para enviar os documentos de defesa. |
| Até 120 dias | Após a compra — é o prazo que o cliente tem para abrir um chargeback. |
| Até 120 dias | Duração máxima de todo o processo até a resolução final. |
Dos documentos que os lojistas enviam ao Nuvem Pago, apenas 32% são encaminhados para disputa — o restante é descartado por estar incompleto ou fora do padrão. Dos que seguem, 55% resultam em vitória. O problema quase sempre está na qualidade do dossiê, não na disputa em si.
- Tela do pedido no painel da Nuvemshop — nome do cliente, endereço, valor, código de rastreio e status de entrega
- Comprovante de entrega — rastreio com status "entregue", de preferência com nome e endereço do destinatário
- Nota fiscal — emitida com o nome do cliente, endereço de entrega, descrição do produto e valor pago
- Histórico de compras do cliente — se ele já comprou outras vezes com o mesmo cartão e nunca reclamou, fica difícil alegar que não reconhece essa compra
- Print de conversa com o número de telefone visível — prints de WhatsApp precisam mostrar o número do cliente na tela. Sem o número aparecendo, o print não vale: qualquer pessoa pode simular uma conversa
- Confirmação de recebimento — assinatura na entrega, foto do entregador com localização registrada, ou código de confirmação fornecido pelo cliente
- Carta explicativa — texto curto contando em ordem cronológica o que aconteceu: contato do cliente, pedido, envio, entrega. Ajuda quem analisa o caso a entender rapidamente
- Carta de reversão de chargeback — documento oficial com foto, quando disponível
| Motivo | O que enviar |
|---|---|
| Fraude / não recebido | Os três obrigatórios mais pelo menos uma prova forte. Histórico de compras e conversa com número visível são os mais eficazes. |
| Produto diferente do descrito | Carta explicativa; print da confirmação do pedido; evidência de que o cliente ainda está com o produto; política de trocas com aceite feito no checkout. |
| Cliente quer cancelar | Política de cancelamento com aceite feito no momento da compra (veja detalhes em "Tipos e motivos"). Conversas mostrando que a loja tentou resolver. |
| Cobrança errada | Comprovante de que o valor correto foi cobrado ou de que o valor a mais já foi devolvido. Registro mostrando que o débito ocorreu apenas uma vez. |
- Não enviar nada dentro dos 7 dias corridos após receber o e-mail
- Enviar documentos com imagens cortadas, escuras ou ilegíveis
- Print de WhatsApp sem o número de telefone do cliente aparecendo na tela
- Usar print de Instagram como prova de política de cancelamento
- Enviar arquivos separados em vez de tudo em um único PDF
- Dossiê incompleto enviado com pressa — na segunda rodada não dá para completar
Cada item do dossiê responde a uma pergunta que o banco vai fazer. A força está na combinação — um documento sozinho raramente é suficiente.
Depois que o lojista envia os documentos (ou deixa o prazo passar), o processo chega a um dos seguintes resultados: