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Chargeback

Entenda o processo completo, saiba como se defender e monte um dossiê que realmente funciona — do jeito mais simples possível.

Escolha um tema para explorar
💡
O que é chargeback
Conceito, funcionamento e quem participa

Chargeback é quando o dono de um cartão entra em contato com o banco e pede a devolução do dinheiro de uma compra. Isso pode acontecer por vários motivos: não reconheceu a cobrança, o produto não chegou, chegou diferente do anunciado, entre outros.

Quando isso ocorre, o banco pode retirar o valor diretamente da conta do lojista — mesmo que o produto já tenha sido entregue. Por isso é fundamental entender o processo e saber como se defender.

Pense no chargeback como um tribunal: não basta dizer que entregou. É preciso provar.

⚠️
Atenção: o Nuvem Pago não retira o dinheiro do lojista. Quem inicia o processo é o próprio cliente junto ao banco. O papel do Nuvem Pago é avisar o lojista e ajudá-lo a se defender.
Quem participa do processo
1
Cliente (dono do cartão)
Entra em contato com o banco e abre a reclamação.
2
Banco do cliente (emissor)
Recebe a reclamação, processa e aciona a bandeira do cartão.
3
Bandeira (Visa, Mastercard, Elo, Amex)
É a "juíza" da disputa — define as regras e arbitra o resultado final.
4
Empresa de pagamento (Pagar.me ou Getnet)
Processa a disputa entre as partes e se comunica com o Nuvem Pago.
5
Nuvem Pago
Recebe o aviso, notifica o lojista e encaminha os documentos de defesa.
6
Lojista
Recebe o e-mail em até 1 dia útil e decide: concordar com o chargeback ou se defender enviando documentos.
🗂️
Tipos e motivos
4 grupos de motivo — e uma distinção crítica em fraude

Existem quatro razões pelas quais um cliente pode abrir um chargeback. A mais delicada é a fraude — e aqui existe uma diferença fundamental que o lojista precisa conhecer antes de decidir se vai contestar.

Fraude — dois cenários completamente diferentes
🚨 Fraude real — difícil de reverter
  • O cartão foi clonado ou furtado e outra pessoa fez a compra
  • O produto foi entregue a um fraudador — não ao dono do cartão
  • O dono do cartão nunca fez nem autorizou a compra
  • Nesses casos, infelizmente, quase não há como reverter
  • Sinal: nome do titular real é diferente do comprador
✅ Fraude combinada — dá para ganhar
  • O próprio dono do cartão fez a compra, mas alega não reconhecer
  • Exemplos: esposa que compra no cartão do marido, filho no da mãe
  • Com documentação bem montada, o lojista tem grandes chances
  • Sinal: nome do titular é igual ou parecido com o comprador
Desacordo comercial — atenção à política de cancelamento

Produto não recebido, diferente do descrito, defeituoso ou cliente querendo cancelar. Com boa documentação, o lojista tem boas chances — mas há um erro muito frequente:

⚠️ Erro comum: política de cancelamento no lugar errado
Para se defender nesses casos, o lojista precisa mostrar que o cliente concordou com as regras no momento da compra. O que não vale como prova:
❌ Não é aceito como prova
  • Print de story ou destaque do Instagram
  • Link enviado por e-mail depois da compra
  • Política só no rodapé do site
  • Qualquer regra que o cliente não precisou aceitar na hora de pagar
✅ É aceito como prova
  • Caixinha de aceite no checkout — cliente marcou antes de pagar
  • Registro automático do horário e aceite no sistema
  • Confirmação de compra que já inclui os termos aceitos
Outros motivos
MotivoO que significa
Erro de cobrançaCliente foi cobrado duas vezes ou o valor estava errado. Geralmente resolvido automaticamente quando há registro do estorno.
Problema de autorizaçãoPagamento feito sem a aprovação correta do banco. Resolvido diretamente pelas empresas — o lojista não precisa fazer nada.
🔄
Como funciona o processo
Etapas, prazos e a regra mais importante

O processo segue etapas bem definidas com prazos curtos. A regra mais importante: o lojista tem uma única chance de enviar os documentos de defesa. Depois disso, não é possível incluir novas provas.

Passo a passo
1
Cliente reclama ao banco
Entra em contato com o banco e pede o dinheiro de volta.
2
Banco registra o chargeback
Processa a reclamação e aciona a bandeira do cartão.
3
Bandeira abre o processo
Cria o canal de comunicação entre banco e empresa de pagamento.
4
Empresa de pagamento analisa
Recebe a disputa e tem até 2 dias úteis para processar.
5
Nuvem Pago avisa o lojista
Envia e-mail de notificação em até 1 dia útil.
6
Lojista toma uma decisão
Concordar com o chargeback (perde o valor) ou se defender enviando documentos em até 7 dias corridos.
Se o lojista decidir se defender
Primeira rodada
O dossiê é analisado pelo banco do cliente. Se aceito, o lojista ganha. Se rejeitado, vai para a segunda rodada.
Segunda rodada (pré-arbitragem)
Não é possível incluir documentos novos — apenas reforçar o que já foi enviado. Tem custo extra.
⚖️
Decisão final (arbitragem)
A bandeira analisa tudo e decide. Quem seguiu as regras corretamente ganha. Custo pode chegar a R$ 3.000 por parcela perdida (Visa).
🚨
Regra mais importante: o lojista tem apenas uma chance de enviar os documentos. Na segunda rodada, não é possível juntar novas provas. Vale mais a pena demorar um pouco mais e montar um dossiê completo do que enviar algo incompleto às pressas.
Prazos para não esquecer
PrazoO que significa
7 dias corridosA partir do e-mail de notificação, para enviar os documentos de defesa.
Até 120 diasApós a compra — é o prazo que o cliente tem para abrir um chargeback.
Até 120 diasDuração máxima de todo o processo até a resolução final.
📧
Como o lojista é notificado
O e-mail do Nuvem Pago e o que fazer ao recebê-lo
📩
O Nuvem Pago envia um e-mail automático em até 1 dia útil após receber o aviso da empresa de pagamento. O e-mail explica o que aconteceu e orienta o lojista sobre o que fazer.
O que vem no e-mail
📦
Qual pedido foi contestado e o valor em disputa
🏷️
O motivo informado pelo banco do cliente
Fraude, produto não recebido, desacordo comercial, etc.
👤
Nome do titular real do cartão
Essa informação já ajuda a identificar se é fraude real ou fraude combinada.
⏱️
Prazo para enviar os documentos
7 dias corridos a partir desse e-mail.
Cuidados importantes
📁
Verifique a caixa de spam. E-mails automáticos às vezes caem no lixo eletrônico. Configure o e-mail da loja para garantir que as notificações do Nuvem Pago cheguem na caixa principal.
O prazo começa quando o e-mail é enviado, não quando é lido. Mesmo que o lojista só veja o e-mail dias depois, o prazo já está correndo.
💰
Quando o lojista ganha, não recebe aviso. O valor volta para a conta como um crédito, sem nenhum e-mail. Só os casos negativos geram notificação — por isso muitos lojistas têm a sensação de que sempre perdem, mesmo quando ganham.
🚀
Em breve: o lojista poderá enviar os documentos diretamente pelo painel da Nuvemshop, sem precisar usar o formulário do e-mail.
🛡️
Como contestar — montando o dossiê
Documentação, hierarquia de provas e caso real

Dos documentos que os lojistas enviam ao Nuvem Pago, apenas 32% são encaminhados para disputa — o restante é descartado por estar incompleto ou fora do padrão. Dos que seguem, 55% resultam em vitória. O problema quase sempre está na qualidade do dossiê, não na disputa em si.

📎
Regra de ouro: tudo em um único documento PDF. Junte a tela do pedido, nota fiscal, comprovante de entrega e prints de conversa em um único arquivo bem organizado. Documentos avulsos são descartados.
O que incluir — por nível de importância
Obrigatórios — sem esses, o dossiê não vai adiante
  • Tela do pedido no painel da Nuvemshop — nome do cliente, endereço, valor, código de rastreio e status de entrega
  • Comprovante de entrega — rastreio com status "entregue", de preferência com nome e endereço do destinatário
  • Nota fiscal — emitida com o nome do cliente, endereço de entrega, descrição do produto e valor pago
Provas fortes — qualquer uma dessas torna o dossiê muito mais difícil de contestar
  • Histórico de compras do cliente — se ele já comprou outras vezes com o mesmo cartão e nunca reclamou, fica difícil alegar que não reconhece essa compra
  • Print de conversa com o número de telefone visível — prints de WhatsApp precisam mostrar o número do cliente na tela. Sem o número aparecendo, o print não vale: qualquer pessoa pode simular uma conversa
  • Confirmação de recebimento — assinatura na entrega, foto do entregador com localização registrada, ou código de confirmação fornecido pelo cliente
Complementares — reforçam o dossiê quando combinados com os obrigatórios
  • Carta explicativa — texto curto contando em ordem cronológica o que aconteceu: contato do cliente, pedido, envio, entrega. Ajuda quem analisa o caso a entender rapidamente
  • Carta de reversão de chargeback — documento oficial com foto, quando disponível
O que enviar por tipo de motivo
MotivoO que enviar
Fraude / não recebidoOs três obrigatórios mais pelo menos uma prova forte. Histórico de compras e conversa com número visível são os mais eficazes.
Produto diferente do descritoCarta explicativa; print da confirmação do pedido; evidência de que o cliente ainda está com o produto; política de trocas com aceite feito no checkout.
Cliente quer cancelarPolítica de cancelamento com aceite feito no momento da compra (veja detalhes em "Tipos e motivos"). Conversas mostrando que a loja tentou resolver.
Cobrança erradaComprovante de que o valor correto foi cobrado ou de que o valor a mais já foi devolvido. Registro mostrando que o débito ocorreu apenas uma vez.
Os erros mais comuns — por que os lojistas perdem
Erros que fazem o dossiê ser descartado:
  • Não enviar nada dentro dos 7 dias corridos após receber o e-mail
  • Enviar documentos com imagens cortadas, escuras ou ilegíveis
  • Print de WhatsApp sem o número de telefone do cliente aparecendo na tela
  • Usar print de Instagram como prova de política de cancelamento
  • Enviar arquivos separados em vez de tudo em um único PDF
  • Dossiê incompleto enviado com pressa — na segunda rodada não dá para completar
📁 Exemplo real — dossiê bem montado (DoubleFive)
Uma loja de joias vendeu um brinco de R$ 199,90 via WhatsApp, pago na Nuvemshop. Produto entregue. A cliente abriu chargeback sem entrar em contato com a loja antes.
📝 Carta explicativa
Texto cronológico: contato via WhatsApp (31/03), pedido em 01/04 às 14h02, pagamento às 14h09, entrega em 06/04 às 10h55. Cliente não pediu devolução dentro do prazo de 7 dias.
💬 Conversa no WhatsApp
Prints com número de telefone visível mostrando interesse no produto, confirmação dos dados, envio do link e confirmação da compra pela própria cliente ("já fiz a compra").
🖥️ Tela do painel
Pedido #827 — status "Entregue", dados da cliente, valor R$ 199,90, código de rastreio e origem "Pedido manual: WhatsApp".
📦 Comprovante de entrega
Rastreio Jadlog: "Produto entregue com sucesso" em 06/04 às 10h55, no endereço exato informado pela cliente.
📋 Política da loja
Print da página de trocas e devoluções mostrando prazo de 7 dias após recebimento — prazo que a cliente deixou passar sem nenhum contato.
📲 Tentativa de contato
Print do WhatsApp mostrando que a loja buscou a cliente após identificar o chargeback, sem resposta. Demonstra boa-fé.

Cada item do dossiê responde a uma pergunta que o banco vai fazer. A força está na combinação — um documento sozinho raramente é suficiente.

📊
Status finais do chargeback
O que cada resultado significa para o lojista

Depois que o lojista envia os documentos (ou deixa o prazo passar), o processo chega a um dos seguintes resultados:

⏳ Aguardando documentação
O lojista foi notificado e ainda está dentro do prazo de 7 dias para enviar.
⛔ Não enviou documentos
O prazo passou sem envio. O valor é devolvido automaticamente ao cliente.
🔍 Em análise
Os documentos foram enviados e estão sendo analisados pelo banco ou empresa de pagamento.
❌ Defesa não aceita
Os documentos foram enviados, mas não foram suficientes. Valor devolvido ao cliente.
❌ Disputa perdida
Após todas as etapas, a decisão foi favorável ao cliente.
✅ Defesa aceita
O lojista ganhou. O valor volta para a conta como crédito — sem e-mail de aviso.
💡
Por que parece que o lojista sempre perde? Quando a defesa é rejeitada, o Nuvem Pago envia um e-mail avisando. Quando o lojista ganha, o dinheiro entra na conta silenciosamente, sem nenhum aviso. Isso cria a impressão de que as derrotas são mais frequentes do que realmente são. Na prática, o índice de vitória quando os documentos são encaminhados corretamente é de 71%.